O que fazer nas primeiras horas
- Saia e afaste as pessoas. Fique longe da área que deslizou, da borda acima dela e do caminho por onde a terra pode descer. Um segundo escorregamento pode acontecer, principalmente se continuar chovendo.
- Chame a Defesa Civil (199). Ela avalia o risco imediato, orienta a desocupação quando necessário e pode interditar imóveis. Em caso de feridos ou soterrados, ligue para os Bombeiros (193).
- Corte os riscos dentro de casa. Se a terra ou a água atingiram a construção, desligue a energia no quadro geral, se for seguro chegar até ele, e feche o gás.
- Tire a água de cima do talude. Feche vazamentos, desvie calhas e mangueiras e não deixe a água da chuva correr para a área que deslizou.
- Cubra com lona, se der para fazer isso sem se expor. Lona plástica sobre a cicatriz e sobre as trincas reduz a infiltração da chuva. Prenda com peso, como sacos de areia, sem subir na terra solta.
- Registre tudo. Fotos com data das trincas, da área e das construções. Marque as pontas das trincas com lápis e a data, para ver se elas crescem.
O que não fazer
| Evite | Por quê |
|---|---|
| Retirar a terra do pé do talude por conta própria | A massa que desceu pode estar funcionando como contrapeso no pé. Removê-la sem projeto pode provocar um novo escorregamento. |
| Subir ou trabalhar na área deslizada | O solo está solto, muitas vezes encharcado, e pode voltar a se mover. |
| Preencher trincas com terra ou entulho | O material solto acumula água dentro da trinca e esconde a evolução do movimento. Cubra com lona. |
| Jogar a terra que desceu na crista ou no terreno vizinho | Terra solta no alto é sobrecarga e volta a descer na próxima chuva. |
| Levantar às pressas um muro de bloco encostado na terra | Muro sem cálculo, sem armadura e sem drenagem recebe todo o empuxo e tende a cair na próxima chuva forte. |
| Voltar a ocupar a casa sem avaliação | Se houve interdição, a liberação passa pelo órgão que interditou. Sem interdição, peça uma avaliação técnica antes. |
Por que a terra desceu
A contenção definitiva só funciona se tratar a causa. Na avaliação, o engenheiro procura as mais comuns:
| Causa | Como costuma aparecer | O que a solução precisa tratar |
|---|---|---|
| Água | Escorregamento durante ou logo depois de chuva forte, minas d'água, vazamento de rede, fossa ou calha despejando no talude | Drenagem superficial e profunda e desvio das águas, além da estrutura |
| Corte no pé | Talude escavado na base para construir ou ampliar, sem contenção | Uma estrutura que devolva o apoio ao pé: muro de arrimo ou cortina |
| Sobrecarga na crista | Aterro lançado, entulho, construção ou piscina perto da borda | Retirar a carga ou considerá-la no projeto, com fundação adequada para o que fica em cima |
| Contenção inadequada | Muro de bloco ou de pedra sem drenagem que tombou ou abriu | Estrutura calculada, com drenagem e fundação verificadas |
| Vegetação removida e erosão | Sulcos na face e terra lavada antes do escorregamento | Proteção superficial e controle da água |
Quase sempre há mais de uma causa ao mesmo tempo. Por isso a avaliação olha o terreno de cima e de baixo, e não só a área que caiu.
Da avaliação à contenção definitiva
A ABM faz a avaliação técnica do local e o projeto e a execução da contenção definitiva em concreto armado. O caminho costuma ser este:
- Vistoria técnica: extensão do escorregamento, trincas em volta, construções afetadas, água e risco de nova movimentação. Quando necessário, o engenheiro indica medidas provisórias até a obra, como lona, desvio de água e restrição de uso de áreas.
- Levantamento e investigação: topografia da área deslizada e do entorno e, quando o caso exige, sondagem SPT (ABNT NBR 6484). A própria superfície de ruptura ajuda a estimar a resistência do solo, numa análise chamada retroanálise.
- Projeto, com ART: escolha da solução, como muro de arrimo no pé, cortina atirantada ou retaludamento combinado com estrutura e drenagem; estabilidade global conforme a ABNT NBR 11682; dimensionamento do concreto armado pela ABNT NBR 6118; sequência executiva.
- Execução em etapas: a remoção do material deslizado e a escavação andam junto com a construção da contenção, por trechos, para não abrir novas frentes instáveis.
- Drenagem e recomposição: drenos atrás da estrutura, canaletas, descidas d'água e proteção da superfície.
Veja como cada estrutura funciona em muro de arrimo, cortinas de contenção e contenção de taludes e encostas. Para saber o que vem no projeto, leia projeto de contenção e ART.
Documentação, seguro e vizinhos
Guarde fotos, registros e, depois, o laudo técnico. Se você tem seguro residencial, avise a seguradora o quanto antes; a cobertura depende da apólice. Quando o deslizamento envolve o terreno vizinho ou uma área pública, a responsabilidade depende do caso e do município. Um laudo com ART registra a causa técnica, e um advogado orienta sobre a parte legal.
Perguntas frequentes
Quem chamar quando acontece um deslizamento de terra?
Se há risco para pessoas, casas ou ruas, ligue para a Defesa Civil pelo 199. Se há feridos ou pessoas soterradas, ligue também para os Bombeiros, pelo 193. Passada a fase de segurança, procure um engenheiro para avaliar as causas e projetar a contenção definitiva.
Posso tirar a terra que desceu do meu terreno?
Não às pressas. A terra acumulada no pé do talude pode estar segurando o que ficou em cima, e removê-la sem orientação pode provocar um novo escorregamento. A retirada deve seguir uma orientação técnica e, em geral, acontece por etapas, junto com a construção da contenção.
A Defesa Civil faz a obra de contenção?
A Defesa Civil avalia o risco, orienta os moradores, pode interditar imóveis e atua na emergência. Em geral, a obra de contenção definitiva em terreno particular não é feita por ela, e a responsabilidade depende do caso e do município. Pergunte à Defesa Civil da sua cidade como funciona aí.
Quem paga a contenção quando a terra veio do terreno do vizinho?
Depende de onde estava o talude, do que provocou o deslizamento, como um corte, um aterro ou água desviada, e das regras locais. Não existe resposta única. Um laudo técnico com ART ajuda a registrar a causa, e um advogado orienta sobre a responsabilidade.
Quanto tempo depois do deslizamento dá para fazer a contenção?
Depende do tamanho da área, do risco que continua, do clima e das licenças necessárias. Primeiro vêm a avaliação e o projeto; a execução é planejada em etapas para não provocar novos escorregamentos. Os prazos de cada etapa são informados na proposta, antes de começar.